quarta-feira, 18 de julho de 2012

Passo descarnado e desnudo
refém entre um fio de sol e um poema.
A carne dos dias assumiu contornos de eczema.
Ossadas de afectos gritam, deambulam… E é tudo
nesta curvatura das horas que nada traz que valha a pena.
A estrada das pétalas de luz é tão larga e tão pequena!
Rendem-se os pingos de vida à areia ressequida do deserto mudo.


Alves Bento Belisário in Poentropia
Por detrás 
De cada palavra 
Estão lágrimas
De sangue 
De todas 
As janelas 
Com pérolas
De sol no olhar.

Cada palavra
Esconde atrás 
Das costas 
Uma mão 
Manchada 
Com o sangue
Das manhãs 
Do mundo.

Alves Bento Belisário in Poentropia
Um rio, um travo, um gesto,
Sangue de estrela que violenta e saqueia,
O teu no meu olhar manifesto
E um coração que pulsa e incendeia.

Alves Bento Belisário in Inquietudes
Um bater de asas,
O frémito da terra,
o bulício álacre dos bichos,
o sol verde de criança:
Olho o colorido pulsar
do mundo no regresso
das lágrimas aos telhados.
Desafio o uso e as vertigens;
sou nada e me desnudo
fiel às manhãs virgens.

Alves Bento Belisário in Inquietudes