domingo, 2 de junho de 2019

Esboroados na levedura
dos vocábulos
podemos ser sempre tudo aquilo que quisermos... adejos poéticos.
Não serão os beijos
palavras
lançadas por violinos tocados com mãos
de orvalho e de fogo?
Fingindo fugimos e seguimos e agrilhoados vamos aos diálogos
entre a veleidade e o silêncio.
Mais do que para ser falada, a vida deve servir
para ser vivida e despida em cada traço
e som e gesto e em tudo
manifesto.


(Alves Bento Belisário)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O frio que desponta
nas cumeadas 
das estrelas desenha cicatrizes no timbre 
dos pássaros
desmaiados ao amadurecer.

O silêncio dos seus gritos
escava na carne das madrugadas
fornalhas de indiferença em lenta combustão.


Alves Bento Belisário

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Amo as formas despidas de uns seios em flor.
Amo a virgindade dos gestos e traços vestidos de sol.
Amo a embriaguez nua dos sentidos incendiados num beijo.
Amo a nudez e a simplicidade das falas despojadas de palavras.
Amo a fogosidade sensual dos bichos, das plantas, da terra…
Amo o perfume de rosas vestido com sexo e erotismo em flama.
Amo as manhãs de vida a desabrochar e pérolas de luz.
Amo o pulsar dos fios de sangue e de poeira… Amo-te a ti.

Alves Bento Belisário in Correntes de Poentropia