quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Tenho-me cobardemente esquecido…

Toda a afectividade começa e acaba

nos muros da nossa própria pele;

a ponte que vai de mim até ao outro

tem a medida desmedida do infinito.

O outro é tão só e sempre um outro não eu…

Circuncisão e pretérito mais que imperfeito…

Se vivo vivo todo e sempre cada dia

que passa à sombra de janela fechada 

agrilhoado ao sangue que carrego dentro

das minhas próprias e solitárias veias.

Antinomia… corda de ligação… máscara de toque de mão…

Embarque num sol de asa em cadente balancé

entre esta inexorável condição de só

e estes ossos encharcados de solidão própria.

Cobardemente me tenho esquecido…


Alves Bento Belisário in correntes de poentropia (Edições Apuro)

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