Tenho-me cobardemente esquecido…
Toda a afectividade começa e acaba
nos muros da nossa própria pele;
a ponte que vai de mim até ao outro
tem a medida desmedida do infinito.
O outro é tão só e sempre um outro não eu…
Circuncisão e pretérito mais que imperfeito…
Se vivo vivo todo e sempre cada dia
que passa à sombra de janela fechada
agrilhoado ao sangue que carrego dentro
das minhas próprias e solitárias veias.
Antinomia… corda de ligação… máscara de toque de mão…
Embarque num sol de asa em cadente balancé
entre esta inexorável condição de só
e estes ossos encharcados de solidão própria.
Cobardemente me tenho esquecido…
Alves Bento Belisário in correntes de poentropia (Edições Apuro)
Sem comentários:
Enviar um comentário