Doem-me os mil lares sonhados…
De todos eles tomo as feridas no regaço.
Plos poros da minha pele seus traços desenhados,
minha casa é feita de sexo de campos e flores em incestuoso
laço…
Feita de pérolas de sol e árvores grávidas de sémen de todas as
cores;
de pétalas de água e fragas e vento com maio embriagado de azul
devasso…
E de pólen de pássaros e bichos incendiados em orgias de mil
odores…
Doem-me os mil lares sonhados… O sangue de todos é meu
passo…
Alves Bento Belisário in correntes de poentropia (Edições Apuro)
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