sábado, 16 de agosto de 2025

Doem-me os mil lares sonhados…

De todos eles tomo as feridas no regaço.

Plos poros da minha pele seus traços desenhados,

minha casa é feita de sexo de campos e flores em incestuoso 

laço…

Feita de pérolas de sol e árvores grávidas de sémen de todas as 

cores;

de pétalas de água e fragas e vento com maio embriagado de azul 

devasso…

E de pólen de pássaros e bichos incendiados em orgias de mil 

odores…

Doem-me os mil lares sonhados… O sangue de todos é meu 

passo…


Alves Bento Belisário in correntes de poentropia (Edições Apuro)

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